♥ Do meu coração

A dor é de quem tem

Quando os meus pais se separaram, eu tinha uns 17 anos. Pra mim foi quase tão normal quanto ir ao cinema. Assim, sem drama nem tragédia. Lembro que até insistia pra minha mãe se separar; que ela seria mais feliz sem aquele casamento; que não poderia ser normal viver brigando com o marido. No fundo, no fundo, só queria ver minha mãe feliz.
Mas, nossa… eu era tão imatura que tratava de assuntos do coração com a mais cruel das friezas. Tudo sem querer, claro.
Mas não sei até que ponto ajudei ou piorei a situação naquele momento.

Não lembro de ter havido um ponto final. Foram várias vírgulas ao longo do caminho que o fim mesmo desapareceu na história. Só sei que um belo dia, meu pai já não estava mais morando com a gente. E ok. Pelas minhas lembranças, eu e meus irmãos encaramos tudo com muita naturalidade.

Acho estranho.
É como se naquela época, eu não conseguisse enxergar a dimensão dos fatos.
E essa miopia me poupou do sofrimento.

Separação é morte. É dor avassaladora. É muito.
É enterrar o futuro. É viver o passado.
É tristeza; não só para o ex-casal, mas para as pessoas que os cercam, que admiravam aquele amor, que torciam pelo melhor.

Hoje percebo que para sofrer é preciso ser maduro. Estar pronto para receber a dor. Ter força suficiente para encarar a realidade e ter noção da profuncidade dos sentimentos.

Não é fácil. Sinto que demorei pra crescer; e ainda não sei dizer se prefiro os meus 17 ou os atuais 26.
Porque sim, é bom ter a consciência adulta.
Mas é tão ruim sentir como gente grande.

E hoje eu sinto.
Sinto muito.

Texto inspirado em 2 pessoas muito especiais que, ainda separados, são, para mim, um exemplo de casamento feliz e deixaram, como prova de amor, um dos bens mais preciosos da minha vida.

Anúncios